Sala de Imprensa

Receita recebe declarações do IR de 2 de março a 28 de abril

Jornal Nacional
Tabela do Imposto de Renda não acompanha inflação há 20 anos. Tabela defasada vem trazendo perdas para muitos brasileiros.

A Receita Federal divulgou nesta sexta-feira (6) o calendário da declaração de Imposto de Renda referente aos ganhos do ano passado. O prazo para a entrega vai de 2 de março a 28 de abril. A tabela do IR não acompanha a inflação há 20 anos. Este ano, está prevista uma correção de 5%, longe de repor as perdas.

A boca do leão você já conhece. De tão faminta, virou símbolo da maior arrecadação do governo federal: o Imposto de Renda.

“O Imposto de Renda precisa ser pago para que o estado cumpra a sua função social”, explica Miguel Silva, advogado tributarista.

Mas sabe de uma coisa? Estamos pagando Imposto de Renda demais.

Quem afirma isso é justamente quem mais entende do assunto, os auditores fiscais da Receita Federal. Uma pesquisa feita pelo sindicato nacional da categoria mostra que, nos últimos 20 anos, a defasagem na correção na tabela do Imposto de Renda é tão grande que hoje tem brasileiro pagando um valor de imposto seis vezes e meia maior do que deveria ser.

É o caso de quem ganha R$ 4 mil. Deveria pagar R$ 40 de Imposto de Renda, mas o leão está tomando R$ 263 todo mês.

Já quem ganha R$ 8 mil, está pagando o dobro do que deveria. As defasagens também ocorrem nos valores das deduções, aqueles abatimentos no Imposto de Renda porque você gastou com educação e dependentes. Só pode ser descontado hoje quase a metade do que deveria ser.

E tem mais. Quem nem deveria pagar Imposto de Renda, está pagando.

“Se tomarmos o caso dos contribuintes isentos, o valor hoje é de R$ 1.903, se a correção fosse feita, se essa defasagem fosse corrigida, esse valor saltaria para R$ 3.460. O que estamos dizendo é que quem ganha hoje entre R$ 1.903 e R$ 3.460 por mês está pagando imposto quando não deveria pagar”, disse Cláudio Damasceno, presidente do Sindifisco nacional.

É o caso da Suzete, que ficou decepcionada quando soube que deveria ser isenta, mas não é. “É um valor que eu poderia usar para outro benefício meu próprio”, disse.

Suelen não é isenta, mas também sente no bolso a mordida a mais do leão.

“Embora eu tenha meus reajustes anuais, a sensação é que estou ganhando menos a cada ano que passa”, contou Suelen Ângelo, analista contábil.

Não é sensação, é fato. O advogado tributarista Miguel Silva explica que, na verdade, com a tabela sem o reajuste da inflação no Imposto de Renda, o brasileiro perde três vezes: “A tabela defasada, o salário que não foi reposto com toda a inflação e o supermercado que repõe toda a inflação.”

Amir Khair, consultor em finanças públicas, destaca ainda que o governo não consegue equilibrar suas contas, mesmo arrecadando mais imposto do que deveria. Um problema de gestão que, segundo ele, impacta na vida de todos os brasileiros.

“Ele cria um problema sério que é diminuir o poder aquisitivo de toda população, especialmente de classe média e de quem ganha menos. Esse poder aquisitivo é o que alimenta o comércio, a indústria e o desenvolvimento econômico. Quando você tira das pessoas mais dinheiro do que deveria com o tributo, você reduz o poder de compra delas”, explicou.

A Receita Federal informou que não irá se manifestar.

Assista a matéria em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2017/01/receita-recebe-declaracoes-do-ir-de-2-de-marco-28-de-abril.html

 

COPYRIGHT 2017 | DESENVOLVIDO POR